A Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro
marcadores: Matérias Relacionadas ao Vinho, Regiões Produtoras, Vinhos do Porto em: quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
A Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro tem uma notável história, foi uma das primeiras instituições criadas para proteger o vinho, a referida instituição surgiu em 10 de setembro de 1756, criada através de um alvará régio. O Precursor da Companhia foi o célebre Marquês de Pombal.
Um pouco de História:
Após assinado o tratado de Methuen (1703), os produtores de vinhos do Alto Douro viveram décadas em ascensão econômica (1703 a 1750), o declínio em seus negócios começaram por culpa dos próprios produtores, que percebendo o sucesso e o volume de vendas dos vinhos do porto para Inglaterra, começaram a apelar pelo volume e não pela qualidade de seus produtos, muitos produtores tiveram a atitude de falsificar os vinhos, adicionando bagaço de uvas ao mosto, açúcar de cana, aguardente em demasia e até água. Ninguém assumia nada, um produtor apontava o dedo para o outro.
Com toda essa situação lamentável, os negociantes ingleses resolveram parar de comprar os vinhos do porto, a crise então agravou-se no Douro. Foi então que os grandes produtores e as pessoas mais influentes da época reuniram-se, à fim de propor sugestões para elevar o nível do vinho do porto, o primeiro ministro Marquês de Pombal adotou a causa, e como disse no começo do artigo, foi instituída a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro.
Uma das primeiras medidas adotada pela Companhia foi a criação da região demarcada do Douro, a primeira DOC (denominação de origem controlada) do mundo. Além da demarcação a Companhia determinou a classificação das variedades e a regulamentação dos métodos de vinificação.
No ano seguinte da criação da Companhia, já era sensível a melhora na qualidade dos vinhos do porto, com isso o preço do produto nas tabernas (bares onde os populares bebiam vinho) da cidade do Porto e em Vila Nova de Gaia inflacionaram muito, esse fato levou os populares a uma grande revolta (dia 23 de fevereiro de 1757), promovendo algazarras pelas ruas e becos da cidade, com gritos de protestos. O império então ordenou a execução dos mentores do movimento popular: 21 homens e 5 mulheres foram enforcados (as) em praça pública, para servir de exemplo à quem quisesse propor novas revoltas. O episódio foi muito marcante, pois os populares apenas queriam beber do fruto de vossos próprios trabalhos.
Seguindo a linha do tempo, tivemos muitos outros altos e baixos no mercado do vinho do porto, mas a Companhia sempre esteve presente e sem dúvida alguma é a grande responsável (junto com os produtores) da posição em destaque que o vinho do porto ocupa nesse mundo vitivínicola.
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