Tokay o vinho mastigável

Tokay é um vinho húngaro produzido na região de mesmo nome, é conhecido por ser um dos melhores vinhos doces do mundo, seu sistema de produção é o mesmo dos célebres Sauternes e Barsac, trata-se de um método natural em que as uvas concentram o açúcar, esse método é algo muito especial, pois contêm pouca ou nenhuma intervenção do homem; acontece que as uvas produzidas na região de Tokay, em alguns anos, quando o clima favorece, é possível que um fungo ataque às vinhas, esse fungo é a Botrytis, que ataca as uvas fazendo pequenos furos nas cascas, assim as cascas tornam-se “peneiras”, dessa forma o líquido contido no bago é parcialmente perdido, concentrando na fruta o açúcar.

Na verdade o fungo Botrytis é a razão da existência do Tokay, a concentração de açúcar nas uvas faz com que o vinho torne-se doce por natureza, ou seja, sem adição de açúcar de outras origens, o Botrytis é conhecido no meio vinícola como “Podridão Nobre”, é um fungo que beneficia o produtor.

As uvas utilizadas no Tokay são: Furmint, Hárslevelü, Muscat Blanc à Petits Grains e a Oremus, essas uvas não são usadas por acaso, é que elas estão mais sujeitas ao ataque do fungo Botrytis, a principal delas é a Furmint, que representa 60% do total das plantas.

Os vinhos de Tokay são classificados conforme a quantidade de açúcar contida no vinho, quanto maior a quantidade, mais refinado, doce e raro o vinho, essa classificação é conhecida como “Puttonyos” e é numerada. Funciona assim:

3 Puttonyos: possui entre 6% e 9% de açúcar residual

4 Puttonyos: possui entre 9% e 12% de açúcar residual

5 Puttonyos: possui entre 12% e 15% de açúcar residual

6 Puttonyos: possui entre 15% e 18% de açúcar residual

Tokay Aszú Eszencia: possui mais de 18% de açúcar residual

Tokay Eszencia: possui entre 40% e 70% de açúcar residual (vinho esse não comercial)

Quando for comprar um vinho Tokay húngaro, você irá encontrar a quantidade de Puttonyos no rótulo, para identificar melhor o vinho. Eu já tive o prazer de provar o de 3, 4 e o de 5 Puttonyos, deguste os vinhos de Tokay mais ou menos à 13ºC, numa taça pequena (pode ser a mesma usada na degustação de Vinho do Porto). Quanto ao nome do artigo “vinho mastigável” é que o Tokay de 5 Puttonyos é tão denso que dá a impressão que é possível “mastigar o vinho”.

Atenção: existe um vinho Tokay produzido na Alsácia (França) que é totalmente diferente do Tokay da Hungria, fique atento no momento da compra.

Recomendo a leitura do artigo:
Sauternes e Barsac – Na vanguarda dos vinhos de sobremesa.

Languedoc-Roussillon

Estudar os vinhos franceses é uma grande aventura para qualquer pessoa que tenha interesse em vinhos, somente os mais empenhados conseguem resultados, pois é uma tarefa árdua!

Como já relatei em alguns artigos, o empecilho em estudar os vinhos franceses é alto preço pagos pelas garrafas, é muito ruim estudar sem ter como provar, eu penso que só à prática poderá fazer com que consigamos entender melhor os vinhos.

Se você não dispõe de recursos suficientes para estudar e provar os vinhos das principais regiões francesas, sugiro que comece pela região de Languedoc-Roussillon.

Languedoc-Roussillon fica no sul da França, é considerada a maior área produtora de vinhos do mundo (possui 283 mil hectares de vinhedos), é uma extensão considerável, pois pouca gente conhece os vinhos desta região, quem não está habituado com vinhos provavelmente nunca ouviu falar.

Acontece que os vinhos produzidos nessa região possuem maior relação custo benefício em relação aos vinhos produzidos nas regiões tradicionais (Bordeaux, Bourgonha, etc...), esse preço menor é devido à vasta região e também a pouca divulgação de seus vinhos no exterior, nos Estados Unidos, por exemplo, os vinhos de Languedoc-Roussillon eram poucos conhecidos até o início da década de 90 (conforme relata a escritora Karen MacNeil no livro A Bíblia do Vinho na página 252), no Brasil não é diferente, somente agora estamos conhecendo os vinhos do sul da França, ainda temos certa dificuldade em encontrar esses vinhos no mercado.

Muitos especialistas comparam os vinhos dessa região com os vinhos produzidos nos países de novo mundo, pois as influências frutais e varietais são muito grandes. Os vinhos de Languedoc-Roussillon são conhecidos de três formas: pelo nome da região onde é produzido (como nas regiões tradicionais), pelo nome da uva (como nos países de novo mundo), e pelo nome do produtor.

As principais regiões produtoras são: Corbières, Coteaux du Languedoc, Minervois, Saint Chinian, Cotes de Roussillon-Villages e Fitou.

As principais uvas cultivadas são:
Tintas: Cabernet Sauvignon, Merlot, Shiraz e outras...
Brancas: Chardonnay, Sauvignon Blanc,Viognier e outras...

Se desejar provar bons vinhos dessa região e não sabe onde comprar, sugiro que vá até o Pão de Açúcar e procure por uma marca de vinhos chamada Club de Sommeliers, essa marca possui muitos vinhos de Languedoc-Roussillon de boa qualidade, no Carrefour também tem vários, procure pelos nomes das regiões produtoras: Corbières, Coteaux du Languedoc, Minervois, Saint Chinian, Cotes de Roussillon-Villages e Fitou.

Combinando pratos e vinhos

Para muitos, combinar pratos e vinhos é uma grande dor de cabeça, sempre quando surge a necessidade de sermos anfitriões, logo consultamos alguém ou algum livro para saber que vinho servir com determinado prato.

É importante ressaltar que em primeiro lugar você deve levar em consideração sua preferência por vinhos, se não for iniciado no assunto, sugiro que compre o vinho que já está acostumado e sirva com o prato que achar conveniente, de que adianta você comprar um vinho que não está habituado a beber e que poderá não agradar?

Agora, se está habituado com vinhos, as pesquisas são muito úteis e com certeza vão ajudar a impressionar seus convidados, demonstrando que você é uma pessoa de gosto refinado.
A regra básica diz: vinho tinto com carne vermelha e vinho branco com carne branca. Essa regra vale quando você não tem alternativa nenhuma para consulta, pois é muito genérica. O recomendado é combinar a textura e o sabor do vinho com o molho (ou o tempero) do prato.

Simplificando, quando fizer uma carne vermelha magra com molho leve, você deverá servir um vinho tinto que tenha corpo leve, que não seja carregado, pois se assim for matará o sabor do prato, se for servir uma carne vermelha gorda com molho encorpado, o vinho deverá ser encorpado e com taninos bem presentes, se servir um vinho leve, matará o sabor do vinho.

No caso dos vinhos brancos a regra é a mesma, um vinho de maior acidez e corpo com um peixe bem temperado, um vinho menos ácido com corpo leve com um peixe leve.

Você deve estar se perguntando, como saberei se um vinho é leve ou encorpado? Isso não tem jeito, você terá que buscar apoio com os profissionais do setor, as lojas especializadas e alguns supermercados oferecem o serviço de orientação gratuitamente, você deverá informar apenas como será o molho do seu prato, para que o profissional lhe indique o vinho certo.

O frio aquece o mercado de vinhos

Inverno no Brasil é uma situação atípica, quando aparece é motivo de comemoração para aqueles que já consomem vinhos com freqüência e para quem vive do mercado de vinhos de uma maneira geral. Essa demanda é composta devido ao fato de pessoas que não tomam vinhos freqüentemente passarem a tomar, as pessoas mais habituadas também acabam aumentando seu consumo.

No caso das pessoas não habituadas a demanda aumenta no segmento de vinhos simples, geralmente feitos com variedades de uvas americanas (mas produzido no Brasil evidentemente), essas uvas geram vinhos muito simples, muitas vezes é adicionado açúcar de cana para adoçar o vinho, quer queira quer não esses vinhos são a maioria dos vinhos vendidos no Brasil, e são eles que fortaleceram a industria vinícola nacional, grandes vinícolas foram constituídas devido a venda em massa dessa categoria de vinhos, a vinícola Salton depende do Chalise e do espumante Perlage, para se manter sólida no mercado, e assim ganha capital para poder ter condições de produzir vinhos mais sofisticados, como por exemplo o Talento e o Desejo, no caso da vinícola Aurora que é outra gigante do setor, o vinho base da casa é o Sangue de Boi, que vende milhares de caixas, que também sustenta as finanças da casa.

No caso das pessoas que já consomem vinhos a demanda aumenta principalmente nos vinhos feitos a partir de variedades européias, que são as uvas que fazem os melhores do mundo, nas empresas que já prestei serviços as vendas nessa época (ou quando o tempo fica mais ameno) disparam e chega a aumentar 45%, isso é muito bom, difícil é prever quando vai esfriar, assim os estoques esvaziam e o consumidor pode ser afetado, pois encontrará dificuldades em encontrar determinada marca.

A dica é: mantenha em sua casa uma pequena reserva particular de cinco ou seis garrafas, para que não fique sem vinhos quando o frio chegar, além disso no inverno os preços tendem a aumentar. Uma alternativa aos preços altos é procurar um supermercado (que você tenha confiança) nessa época do ano grandes negociações são feitas e por isso podem oferecer melhores preços, fiquem de olho.

O Vinho do Porto Vintage

O maior mercado consumidor de Vinho do Porto é a França, porém os Estados Unidos é o maior mercado quando se trata de Vinho do Porto Vintage, isso significa muito, pois o Vintage nada mais é do que o melhor tipo de Porto que existe.

Não é qualquer vinho que pode ser um Vintage, para isso é preciso um ano que não tenha sofrido com variações climáticas e somente uvas de qualidade excepcional podem ser usadas na composição do vinho, com todas essas características favoráveis o produtor faz o vinho e remete amostras ao IVP (Instituto do Vinho do Porto) que vai dizer se o vinho tem realmente o potencial para ser um vintage, se não tiver a qualidade almejada não poderá chamar-se “Vinho do Porto Vintage”, por essas e outras que você nunca irá encontrar um Vinho do Porto Vintage ruim, pois todos eles passam pela prova do IVP.

O Vinho do Porto usufrui um patamar de qualidade que causa inveja a qualquer região produtora do mundo (digo todos os tipos de Porto, não só o vintage), isso é devido ao controle rigoroso que o IVP faz, somado a vontade dos produtores de fazer um produto de qualidade superior. Eles não estão errados, pois produzindo um produto de qualidade excepcional eleva-se o preço, trazendo benefícios a todos os envolvidos, vez que o mercado do Vinho do Porto é muito importante para Portugal e envolve diversos setores da economia.

O Vinho do Porto Vintage como já dito, só pode ser produzido em anos excepcionais e devidamente autorizados pelo IVP, todas essas exigências atendidas o vinho envelhece apenas na própria garrafa, onde ganhará diversos aromas distintos e sabores sensacionais.

É uma tradição presentear alguém com uma garrafa de Vinho do Porto Vintage de safra similar à data de nascimento da pessoa a ser presenteada, é sinal de respeito e de muita consideração. Se alguém quiser me presentear com uma garrafa de Porto Vintage, tenho a informar que meu ano de nascimento é 1982, tido como um ano excepcional.

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