Vinho - Liberdade x Tradição

Quer queira, quer não, os novos tempos trouxeram mudanças no cenário vitivinícola mundial, na minha modesta opinião as mudanças foram para melhor, todavia algo mudou, o conceito “Terroir” perdeu um pouco o sentido devido a ampla disseminação das variedades, é importante ressaltar que estou me referindo de vinhos de fácil aquisição (os que dominam o mercado), os TOPs de linha ainda mantém a tradição, geralmente são produzidos com castas tradicionais, oriundas da própria região.

Os mais conservadores contestam tal opinião, mas temos que levar em consideração o maior mercado consumidor de vinho, que é de consumidores de media ou baixa renda. Essa disseminação de variedades ajuda e elevar a qualidade média dos vinhos, principalmente aqueles produzidos nos países de novo mundo, a ausência de uma variedade nativa liberta o produtor para experiências diversas, até achar um conjunto de variedades que melhor se adaptem aquele terreno.

Ao longo do tempo, nesses novos paises produtores, foram descobertas variedades que melhor se expressam, como por exemplo:

Argentina = Malbec
Chile = Cabernet Sauvignon
Uruguai = Tannat
Austrália = Shiraz ou Syrah
Nova Zelândia = Sauvignon Blanc

É preciso tomar muito cuidado, existem diversos vinhos produzidos com outras cepas nesses paises que também são bons, é preciso provar, na dúvida sempre experimente.

O tal do tanino

É a primeira palavra que um aspirante a enófilo entoa, a segunda é terroir. Não sei o motivo, mas algumas pessoas acabam tornando o estudo vinícola uma tarefa demasiadamente enjoativa.

No principio, quase desisti de explorar os vinhos, quem me ensinou a estudá-los foi Carlos Cabral, tive sorte, pois o referido é nada menos que um dos maiores conhecedores do assunto no Brasil, Cabral tem uma biblioteca que beira os 500 livros sobre vinhos, imagine, quando vamos à livraria achamos no máximo 7 ou 8 livros sobre o assunto.

Cabral me ensinou que os livros são importantes, porém, aprende-se muito provando.
Recomendo que antes de sair comprando livros, primeiro provê. Nas melhores lojas especializadas e supermercados de primeira linha, existe orientação profissional que irá lhe ajudar a provar seus primeiros vinhos finos; é importante dizer ao profissional o que você pretende com aquele vinho: um jantar, uma reunião familiar, ou tomar sem compromisso, com essas informações o profissional irá lhe indicar o vinho ideal (baseado no seu perfil).

Provado os vinhos e caso tenha realmente gostado da experiência, aí sim deverá partir para literatura, que é muito rica em detalhes, por um lado é bom, mas você deve tomar cuidado, procure ler aos poucos, para que o exercício da leitura não se torne uma prática que não mais acontecerá (pois logo nas primeiras nomenclaturas francesas, já enrolamos a língua e a paciência vai embora).

Eu gosto mais dos livros que contam fatos relacionados ao vinho, do que os livros técnicos, penso que o trabalho técnico deverá ser deixado para os químicos e os enólogos, que estudam para nos oferecer vinhos maravilhosos e de qualidade, por isso prefiro livros do tipo que o próprio Cabral escreve, que narram fatos relacionados, para conhecer os livros do Cabral, clique aqui.

Não me julgo conhecedor de vinhos, só gosto de estudar a respeito, posso garantir que estudar vinhos é um investimento relativamente barato em relação aos benefícios que traz.

Livros que recomendo:

A Bíblia do Vinho - Autora: Karen Macneil - 800 páginas:
O livro aborda o tema vinícola com muita riqueza nos detalhes, a Bíblia do Vinho é um livro para consultas eventuais, sempre que quiser saber de alguma região vinícola e o que nela se come. O livro trás também informações sobre o cultivo de vinhas, como montar sua adega em casa, telefones de algumas vinícolas que recebem turistas, etc...

Tintos e Brancos - Autor: Saul Galvão - 640 páginas:
O livro trás um resumo das melhores e mais conhecidas regiões vinícolas do mundo, é um guia para todos os iniciantes em vinho, esse livro foi o primeiro livro que eu li sobre vinhos, realmente apaixonante. Num curto período de tempo o livro sofre revisões, o quê sempre deixa o conteúdo atualizado.

Guia de Vinhos 2008 - Autor: Hugh Johnson - 288 páginas:
O livro é um resumo do resumo do resumo sobre tudo o que diz respeito a vinho, é indispensável para quem gosta e compra vinhos, por ser pequeno, cabe no bolso, é bom estar com ele na hora de comprar um vinho, pois é uma fonte rápida e inteligente de consulta.