Panini em Ribeirão Preto


No dia de hoje na cidade de Ribeirão Preto – SP foi inaugurada uma padaria que foge aos padrões conhecidos no mercado local, trata-se da PANINI – Panificação, dirigida por Ricardo Maschietto e Nêmora Gimenes Maschietto, a loja conta com uma completa linha de queijos finos, muitos deles importados e com cortes personalizados, a empresa contratou uma consultoria exclusiva na área de queijos e frios finos, o resultado disso foi o desenvolvimento de produtos sofisticados, para paladares exigentes e refinados.
A linha de pães especiais da PANINI também é motivo de elogios, e não é para menos, pois a experiência de Ricardo Maschietto no segmento é invejável, por vezes não encontramos o capricho e a qualidade dos pães e bolos que por ele são feitos.
A loja conta também com amplo espaço para happy-hour, considerando também a distinta linha de cervejas especiais e importadas.
Enfim um local para reunir os amigos, fazer as compras do fim do dia, e é claro fazer uma surpresa para quem a gente gosta!

Panini - Ribeirão Preto
Av. Independência, 2886  (esquina com a Av. João Fiusa)

O que esperar de um vinho?

É a dúvida mais comum entre os já experientes tomadores de vinhos e também os novatos na arte de provar.

Acontece que quimicamente falado, o vinho é uma bebida feita a partir de mosto fermentado de uvas, prensado e engarrafado, de uma maneira sintética é claro, todavia, graças ao bom Deus, o apaixonado por vinhos não o vê como tal, mas sim como algo místico, sobrenatural, e é assim também como eu vejo.

Então quando estamos diante de uma prateleira, prestes a escolher um vinho, já criamos uma expectativa a cerca do que faremos com aquela garrafa, e isso acontece com pouquíssimos outros produtos do gênero. Note que ao escolher um vinho, não estamos apenas pensando em resolver o problema da falta do produto no nosso estoque doméstico, como é o caso dos demais produtos que podemos adquirir no supermercado.

Dessa forma esperamos do vinho aromas e sabores e sensações únicas, que nenhum outro produto similar poderá oferecer, principalmente pelo ambiente proporcionado numa conversa agradável com que se ama, amigos, enfim.

Portanto, ao escolhemos um vinho, temos que ter essas informações em mente, compilando isso, assim poderemos direcionar nossas escolhas, com a finalidade de acertar a cerca da escolha do vinho.

No caso de decepcionar-se com um vinho, provavelmente o culpado será você, primeiro estude a ocasião em que ele será servido, depois procure atendimento especializado (caso necessite, é claro), não cobre demais de um vinho em que você investiu pouco dinheiro, isso é fato, e falta de respeito com o produtor, digo isso não para defender o produtor, mas sim para não endossar o dolo de quem pratica esse ato. Nesses casos é melhor servir uma boa cerveja.

BAG IN BOX - Uma alternativa viável

Na idade média, o vinho era armazenado em ânforas de barro ou ainda recipientes metálicos, que certamente, não bastasse já à oxidação, vez que não era possível adicionar conservantes à bebida, havia também os sabores e odores indesejáveis, transmitidos ao vinho pelo contato com esses vasilhames.

Tempos mais tarde, o vinho ganhou seu recipiente, que é garrafa, geralmente de cor âmbar (essa cor é proposital, para proteger seu conteúdo da ação indesejável da iluminação). Em tempo paralelo surgiu a vedação dessas garrafas, que é a rolha, afinal de nada adiantaria a garrafa, senão houvesse como vedá-la.
Não me aprofundarei nessas questões, afinal não é o objetivo desta postagem, sugiro que leiam duas postagens que escrevi sobre garrafas e taças, pois é importante o contexto histórico, o link para as referidas postagens encontram-se no rodapé deste texto.

Graças ao bom Deus, existem algumas pessoas que vivem há anos luz à frente ao nosso tempo, eu tive a felicidade de conhecer uma delas, que é o enófilo Carlos Ernesto Cabral de Mello, que no ano de 2004, numa reunião de negócios, me mostrou o que era um protótipo do que hoje conhecemos por BAG-IN-BOX; ele disse: vejam isso, não se trata de uma caixa de vinho, pensem que ao abrir uma garrafa de vinho, seus aromas e sabores perdem-se nas próximas horas ou dias após sua abertura, desperdiçando dessa forma dinheiro e um bom vinho, com o então novo recipiente chamado BAG-IN-BOX, o vinho permanecerá praticamente inalterado até o seu trigésimo dia de abertura, fantástico! Assim indagou o insigne mestre.

Nos anos seguintes, o BAG-IN-BOX não decolou, devido a falta de interesse dos produtores, que como sabemos são conservadores (e de certa forma isso é muito bom). Alguns vinhos ordinários foram lançados à época neste tipo de embalagem, mas quem procurava um vinho para o dia-a-dia com melhor qualidade, não encontrava.

A grande expansão desse sistema de envasamento no meio vinícola deu-se em meados de 2010, e hoje temos algumas variedades de vinhos oferecidos em BAG-IN-BOX, e vinhos de qualidade, e isso é muito bom, pois podemos usufruir de um vinho por até 30 dias, sem que ele tenha grandes perdas organolépticas nesse período, essa é a grande sacada do BAG IN BOX. Geralmente o conteúdo de um BAG-IN-BOX é de 3 litros (que equivale a quase 4 garrafas de vinho).

A embalagem conserva o vinho, que é extraído de seu recipiente por meio de uma válvula (ou torneira, como preferir), impedindo a entrada de oxigênio ao interior da garrafa, evitando assim a temida oxidação.

Visitando algumas lojas de São Paulo pude observar alguns vinhos oferecidos em BAG-IN-BOX, lembrando que os vinho geralmente oferecidos são vinhos varietais, que possuem pouco ou nenhum envelhecimento em carvalho, afinal não faria sentido servir um vinho reserva nesse tipo de embalagem, até por quê acredito que não sobraria ao final do primeiro dia...

Dentre os vinhos que vi destaco os seguintes (sempre lembrando aos meus caros leitores que são vinhos para o dia-a-dia, vinhos bem feitos, frutados e leves):

Marcus James Cabernet Sauvignon – 3 Litros – Valor Médio R$ 33,50
Geisse Reserva Amadeu Cabernet Sauvignon ou Merlot – 3 Litros – Valor Médio R$ 50,00
Alandra Tinto (português) – 3 Litros – Valor Médio R$ 70,00
Montato Alentejo (português) – 3 Litros – Valor Médio R$ 70,00
Miolo Terranova Chenin Blanc ou Shiraz – 3 Litros – Valor Médio R$ 40,00
Almadén Cabernet Sauvignon – 3 Litros – Valor Médio R$ 37,00

Recomendo a leitura dos artigos relacionados:

Imagem em destaque: Bag In Box - Miolo Terranova Shiraz 5 Litros
Extraída do banco de imagens do Google, os direitos da imagem pertencem aos respectivos proprietários, e os direitos de exibição poderão ser revistos.

A situação dos vinhos portugueses no Brasil

Os vinhos portugueses têm conquistado o gosto do consumidor (nível mundial), fato esse na contramão dos demais vinhos europeus, tais como franceses e italianos. Os portugueses nos últimos 10 anos têm produzido vinhos excelentes, mas não estou me referindo aos vinhos “Top”, mas sim aos vinhos tranquilos (não fortificados) que possuem boa relação custo-benefício, estes vinhos quando comparados aos franceses ou italianos na mesma faixa de preço (R$25,00 – R$60,00) conseguem se destacar com muita facilidade, naturalidade, é uma grande vantagem dos vinhos portugueses.

Os portugueses conseguiram esse feito devido à alta tecnologia empregada na produção e principalmente as variedades nativas do país, como por exemplo as cepas: Touriga, Tinta Roriz, Caiada, Periquita, Aragonês, Trincadeira, são cepas únicas, que realmente exprimem o terroir da região onde o vinho é produzido.

Os vinhos portugueses são uma alternativa aos vinhos dos chamados países de novo mundo, que são conhecidos por produzirem vinhos de excelente qualidade a um preço regular, como já dito, poucas vezes encontramos na Europa ou em outros países a qualidade desejada com o mesmo custo-benefício.

Em contrapartida não dispomos de tantos vinhos portugueses no nosso mercado, é uma triste realidade, os que temos são poucos e muitos deles são os mesmos há trinta anos. Poucas são as novidades, isso é por culpa do Governo Português que pouco faz para promover seus vinhos aqui no Brasil, o pouco que é feito é por cooperativa de produtores de vinhos que juntam fundos para patrocinar campanhas de merchandising em lojas, propagandas em revistas especializadas, e muitas vezes esses produtores acabam se rendendo às imposições de grandes importadoras devido à fragilidade de não terem condições de arcar com ações de marketing e logística de níveis para cobrir o território brasileiro.

Muitos enófilos brasileiros Têm trabalhado para melhorar a situação dos vinhos portugueses no Brasil, dentre eles eu destaco o trabalho de Carlos Cabral, considerado o embaixador do Vinho do Porto no Brasil, Cabral é amigo pessoal de diversos produtores portugueses, tanto de vinhos fortificados como tranquilos. Em 2002 Cabral esteve em Portugal e em uma audiência particular com o então Presidente da Republica Jorge Sampaio, tratou de delatar a situação dos vinhos portugueses no Brasil, sem rodeios. Segundo Cabral, o presidente ficou surpreso e chamou a atenção do Ministro da Agricultura (ou equivalente) a sua presença!

Não obstante o serviço prestado por Cabral na audiência particular com o Presidente daquele país, nada foi feito (ou nada que possamos perceber).

Outro grande defensor dos vinhos da terra mãe foi Sérgio de Paula Santos, que sempre em suas obras não deixava de abordar os vinhos de lá, inclusive na sua obra “O vinho e suas circunstâncias”, ele relatou que certa vez, numa visita à casa de um amigo português, teve a oportunidade de provar um vinho Madeira ano de 1845, e segundo ele estava esplêndido!

Os vinhos portugueses são assim: encantam, surpreendem. Como tive a oportunidade de trabalhar ao lado de Cabral, provei dezenas de rótulos portugueses, muitos deles até sem comércio no Brasil, e posso dizer que são únicos, isso não significa que são os melhores vinhos do mundo, mas sim possuem personalidades fortes, marcantes, inconfundíveis, mesmo os vinhos mais populares, os feitos de Touriga Nacional em especial ou Aragonês também, são excelentes, mostram sua qualidade mesmo sem o envelhecimento ou passagem por madeira.

Comece uma expedição pelas prateleiras dos supermercados (aqueles que tem tradição em vinhos) ou lojas especializadas, à procura de bons rótulos portugueses a preços competitivos. Recomendo a comparação com os demais europeus na mesma faixa de preço, vai se surpreender.


Torrontés - a uva da vez

Provavelmente você não seja fã de vinho branco, salvo exceções é claro, como já escrevi anteriormente os vinhos brancos são os melhores amigos daqueles que se propõe a estudar vinhos (principiantes), para ler a matéria completa clique aqui.

O perfume é o que mais me chama a atenção nos vinhos brancos, as cores que o vinho apresenta também me fascinam, é mágico, quase que um encanto, uma sinfonia em perfeita execução, com o vinho branco feito a partir da variedade Torrontés não é diferente, seus aromas são tão intensos quanto os da Malvasia ou até mesmo a Viogner, impressionam até mesmo quem ainda não conhece sobre vinhos, muitas vezes lembram flores, frutas cítricas e algumas vezes tropicais, é um vinho adequado ao consumo brasileiro, pois é refrescante, seu sabor ligeiramente ácido refresca, alivia o calor, todavia o sabor não se compara as impressões obtidas nos aromas e nas cores, afinal nem tudo é perfeito, apenas os vinhos de Torrontés mais bem elaborados (e por sua vez mais caros) conseguem um equilíbrio entre aromas/cores/sabores.

O país campeão mundial em produção de bons vinhos Torrontés é a Argentina, até 10 anos atrás a variedade naquele país era utilizada para produção de vinhos ordinários, bilhões de litros produzidos se qualidade nenhuma, muitas vezes era misturado à variedade Pedro Gimenez, apenas para aumentar o volume da produção.

Os produtores começaram a se interessar pelos vinhos feitos a partir da até então ordinária Torrontés depois de perceberem bons resultados obtidos com alguns clones produzidos na região de Salta, logo novos clones foram cultivados, mas sempre com o receio de uma reação negativa do mercado de consumo, pois no mundo todo só se desejava Chabis ou Chardonnay, desejo esse que com o passar do tempo foi diminuindo (mas infelizmente ainda existe). Acontece que na atualidade as pessoas querem vinhos diferentes, estão cansadas com os mesmos aromas e sabores, ainda que bons, querem produtos diferentes, com personalidade. Desta forma a Torrontés entrou de vez no mercado de consumo como variedade de qualidade, principalmente os produzidos na região de Salta na Argentina.

Os cachos de uvas da Torrontés vão de médios a grandes (dependendo da região de cultivo), As folhas da vinha são verde escuro e em forma de pentágono. “...o verde das vinhas com seus frutos dourados e amarelos é uma visão maravilhosa, sem contar a regiões montanhosas onde a Torrontés é produzida na Argentina” – Tradução de um trecho do site www.torrontes.com acesso às 22h05min do dia 08/02/2011.

Os produtores Argentinos comemoram o sucesso da Torrontés no mundo, pois eles têm recebido inúmeros prêmios com seus vinhos da variedade, e não é para menos, um fato relevante que talvez justifique tal sucesso é que a cepa só é cultivada em larga escala na Argentina, existe uma cepa homônima na Espanha, mas não se trata da mesma variedade. Ficando assim com todos os créditos os nossos vizinhos abençoados.
Imagem em destaque: vinhedos de Torrontés na Argentina, imagem extraida do site que promove a cepa: www.torrontes.com.

A Diferença entre o alcoólatra e o degustador de vinhos

Ao pensar em como começaria este texto, me veio à memória uma frase escrita por Sérgio de Paula Santos no livro: O vinho e suas circunstâncias – Editora Senac 2002; a frase dizia “...Existe um abismo que separa o degustador de vinhos do alcoólatra” são tipos de pessoas diferentes. Na época em que eu era consultor, jamais vi ou fiquei sabendo de algum verdadeiro degustador de vinhos embriagado, eu disse bem: Verdadeiro!, Pois há muitos alcoólatras que se passam por degustadores de vinhos para abastecer seu vício terrível por álcool.

O degustador de vinhos aprecia a bebida, procura saber detalhes sobre como foi feito aquele vinho, como foi a safra, o envelhecimento, o engarrafamento, o tipo de rolha usada, enfim o universo que envolve o mundo do vinho.

O alcoólatra pouco se importa com o que irá beber, a condição única é que a bebida contenha álcool.

O degustador de vinhos pode ficar meses sem provar a bebida, sem que isso lhe cause algum sofrimento ou efeito colateral, eu mesmo tomo 3 vezes por ano apenas, e me considero um degustador por provar aquele vinho com atenção e respeito por quem o fez. Nós, degustadores, não estamos “amarrados na bebida em si” mas sim em todo o contexto que envolve a vitivinicultura, até mesmo o estudo do solo, condições climáticas, a variedade de uva cultivada, etc...

O Alcoólatra necessita do álcool diariamente, ainda que aquela bebida não contenha a qualidade desejada por quem a bebe, o importante é a graduação alcoólica, quanto maior mais atraente é.

O degustador de vinhos tem a prática da degustação como um hobby, um momento de prazer, e o mesmo gosta de compartilhar a experiência vivida com aquela degustação com os amigos degustadores ou com outras pessoas que gostam de vinho.

O alcoólatra necessita da bebida devido sua patologia, não compartilha de seu momento e às vezes faz o consumo da bebida escondido da sua família/amigos.

O degustador de vinhos está em constante aprendizado, sempre buscando saber das novidades do setor vinícola, lendo livros, revistas, sites e blogs.

O alcoólatra está em constante desespero, sempre pensando em como irá conseguir a próxima bebida, deixa de aprender, perde o interesse pelos livros, revistas, e às vezes até a família.

Creio que a frase do imortal Dr. Sérgio de Paula Santos resumiu muito bem tudo aquilo que eu descrevi nos parágrafos acima, mas preste muita atenção, a escolha é sua, qual seu perfil? De um degustador de vinhos ou de um alcoólatra? Fique atento.

Projeto diariodovinho.com procura parcerias com enófilos

Senhores(as),


O Blog Diário do Vinho está à procura de parceiros editores, com a finalidade de escrever novas postagem sobre o tema vinícola, mas sempre com muita pesquisa e sem cópia de conteúdo disponível na internet ou até mesmo em livros, todas as postagens deste blog foram feitas com pesquisas em livros e sites sobre o tema.
Se você gosta de vinho e escreve bem, mande-me um email: daniel@diariodovinho.com, e vamos trabalhar juntos para manutenção deste Blog, que possui mais de 3.000 visitantes/mês.

Atenciosamente

Daniel César de Oliveira
diariodovinho.com

Taças - história e o uso adequado

A história da taça.

O vinho na antiguidade era armazenado em ânforas de barro, não havia outros tipos de recipientes adequados, a oxidação era uma constante, o vinho certamente tinha gosto à vinagre e muitas vezes era misturado a ervas e outros ingredientes, com a finalidade de diminuir o sabor amargo e desagradável.

A fragilidade de como a bebida era armazenada, se repetia no momento do consumo, é impressionante que nos dias atuais se encontre nas escavações arqueológicas copos ou cálices cuja matéria prima eram muito frágeis, como a cerâmica, a porcelana e o vidro.

Dentre os achados arqueológicos o mais curioso é o kylix, que tem o formato de uma panela com asas parecidas com as das xícaras de chá, mas com duas asas, era muito prático o kylix, pois se passava o recipiente de um convidado ao outro rapidamente e sem o risco de cair, facilidade essa proporcionada pela asa dupla, em contrapartida era grande em demasia.
Kylix:

Seria o kylix a primeira taça do mundo?

Com o passar do tempo o tamanho da taça (se é que podemos assim chamar) foi se diminuindo, porém a dupla asa se manteve. No período medieval o vinho era servido aos convidados de honra nessas taças de duas asas, para que todos pudessem beber do mesmo vinho e no mesmo copo, tal atitude era uma garantia de que a bebida não estava envenenada e também uma prova de companheirismo. Nos rituais religiosos todos também bebiam do mesmo vinho e na mesma taça, prova de fraternidade.

Também na época medieval algumas taças possuíam tampas (para proteger seu conteúdo), nas cerimônias religiosas a tampa era útil para proteger o vinho após esse ser abençoado pelo sacerdote, havia o risco de alguma sujeira ou outras substâncias indesejadas caírem no vinho, afinal os templos eram precários e havia presenças de muitas aves nas construções. Nesse período a taça já era feita de prata, muito embora os fiéis mais abastados financeiramente doassem ouro à igreja, ele não era utilizado para a fabricação dos cálices, devido a prata ser um metal mais macio.

Nessa época o vidro já havia sido descoberto há muito tempo, embora não utilizado largamente, seu emprego como copo foi utilizado mais freqüentemente a partir de 1500 d.c. e assim em diante foi se aperfeiçoando a industria vidreira.

Conta uma velha lenda que a taça de vidro surgiu quando um antigo rei, admirado com o formato dos seios de sua amada, mandou fazer um copo com o formato deles, com a finalidade de tomar seu martini (não confundir com o Martini atual que é uma marca comercial, na verdade o martini é um vermouth que há milênios é consumido).

Atualmente existem diversos tipos de taças, inclusive coloridas, com desenhos em relevo no vidro, para atender aos mais variados gostos, todavia as mesmas não servem para quem quer apreciar com atenção a bebida.

Qual é a taça adequada para se degustar?
É uma das primeiras indagações feitas por aqueles que querem adentrar o mundo dos vinhos, tornarem-se enófilos.

Se estiver começando os estudos vinícolas, não se preocupe muito com as taças, com pouco mais de cinqüenta reais conseguirá formar seu kit de taças perfeitamente (se for um casal, cem reais aproximadamente). Você irá precisar basicamente de três tipos de taças: uma para vinho tinto, uma para branco e uma para espumante. Adiante, explicarei as diferenças de cada uma delas.

A taça adequada para vinho tinto deverá ter a base grande, para que você possa segurá-la com firmeza, não é adequado segurar a taça pelo bojo, pois com essa atitude você ira aquecer muito a bebida (nosso corpo tem a temperatura média de 36 graus), e no caso dos vinhos tintos, sabemos que a temperatura ideal para o consumo é de 16 a 20 graus. O Bojo deverá ser grande e a borda da taça deverá ser menor que o bojo, essa característica é necessária para que caiba mais oxigênio na taça, ajudando assim o vinho a liberar seus aromas, sem dizer que o bojo grande auxilia o equilíbrio ao girar a taça, evitando que o líquido escape e suje alguma coisa. Concluímos então que segurando a taça pela base ou pela haste, não aqueceremos o vinho, desfrutando melhor as suas características. Para melhor aproveitar a degustação, coloque apenas 1/3 de vinho na taça, o espaço livre restante será importante para que você possa girá-la com tranqüilidade, sem correr o risco de sujar a toalha ou a camisa.
Taça Para Tinto:

A taça certa para o vinho branco é ligeiramente inferior em tamanho a do vinho tinto, o bojo também é menor, é que o vinho branco consegue liberar seus aromas com mais facilidade, não é necessária tanta oxigenação (bojo grande), nem ficar girando a taça com muita freqüência.É por essas e outras que sou apaixonado pelos vinhos brancos, eles mostram logo suas características, não se escondem, e minha dica para quem quer começar a estudar os vinhos, é começar pelos brancos, não se arrependerá!

No mais, a regra é a mesma para a taça do tinto, não segure pelo bojo (para não aquecer), a temperatura para os brancos vai de 8 a 14 graus dependendo da variedade.Preencha de vinho branco de 1/3 a ½ da taça pelo mesmo motivo do tinto, etc...
Taça Para Branco:


A taça correta para o espumante é a flutê (flauta), ela tem o formato parecido com uma flauta, a haste é comprida e nesse caso não há bojo, pois não é necessária nenhuma oxigenação, o espumante possui gás carbônico, que liberará os aromas do espumante quase que imediatamente. Como não há bojo, não há o que se girar, apenas sentir os aromas e admirar as perlages (bolhas).A regra para segurar a taça do espumante é a mesma das demais já ditas, com uma ressalva, é muito mais elegante segurar pela haste...
Taça Para Espumante:


A temperatura para servir o espumante é de 2 a 6 graus dependendo da qualidade.

Todas as taças (para tinto, branco ou espumante) devem ser transparentes, sem nenhum desenho ou outra característica que impeça a visualização perfeita do vinho, deverá a taça ser feita de cristal ou vidro fino. A limpeza deverá ser feita apenas com água quente ou no máximo detergente neutro (para não transferir odores ao vinho).

Há pouco escrevi que era possível comprar um kit com pouco mais de cinqüenta reais, na verdade é você quem monta o conjunto (as taças são vendidas separadamente), eu recomendo a marca LUMINARC, a Luminarc tem diversas variedades de taças e custam em média vinte e oito reais, para tinto procure a LUMINARC BORGONHA (devido o bojo avantajado), para branco, a LUMINARC para vinho branco (não há outra variedade) e para espumante também a mesma marca, outra boa marca para taças é a VINERY. Se não encontrar as referidas marcas, compre outras, desde que respeite as características que descrevi na postagem, que sejam de vidro fino ou cristal, que não custem caro, e principalmente, acredite: elas foram feitas para se quebrar.